ABETRAN defende o fortalecimento do debate sobre advertências mais impactantes nas embalagens de bebidas alcoólicas, incluindo imagens que alertem para os graves riscos da combinação entre álcool e direção

Imagem ilustrativa mostra como poderiam ser as advertências visuais nos rótulos de bebidas alcoólicas, com mensagens sobre os riscos da combinação entre álcool e direção. Crédito: Arte: ABETRAN / imagem gerada por IA

Uma garrafa de bebida alcoólica pode trazer informações sobre ingredientes, teor alcoólico, fabricante e outras características do produto. Mas há uma informação que poderia ocupar um espaço muito mais visível nas embalagens: as consequências de beber e assumir o volante.

Todos os anos, a combinação entre álcool e direção continua presente em inúmeros sinistros de trânsito, deixando mortos, feridos e famílias marcadas por perdas que poderiam ser evitadas. Apesar das campanhas, da fiscalização e das penalidades previstas na legislação, ainda existe quem decida dirigir depois de consumir bebida alcoólica.

Diante dessa realidade, a ABETRAN considera necessário ampliar uma discussão que há anos vem sendo levantada por entidades e profissionais comprometidos com a segurança no trânsito: a adoção de advertências mais fortes e visualmente impactantes nos rótulos das bebidas alcoólicas.

A ideia é simples. Se as consequências são graves, por que elas continuam praticamente invisíveis no momento da compra e do consumo?

Uma imagem que faça pensar antes de dirigir

A proposta é que as embalagens possam trazer, além das advertências escritas, imagens capazes de alertar sobre os riscos de associar álcool e direção.

Não seria uma novidade utilizar a própria embalagem de um produto como instrumento permanente de conscientização. No Brasil, as embalagens de cigarros já utilizam há anos imagens e mensagens de advertência para mostrar os danos provocados pelo consumo do tabaco.

A questão que precisa ser debatida é: por que não utilizar uma estratégia semelhante para alertar sobre os sinistros provocados pelo consumo de álcool associado à condução de veículos?

Uma mensagem escrita, pequena ou pouco destacada, pode passar despercebida. Uma imagem, quando utilizada de forma responsável e educativa, pode provocar reflexão e interromper uma decisão que, em alguns casos, termina em tragédia.

Não se trata de substituir a educação para o trânsito, a fiscalização ou as campanhas de conscientização. Trata-se de acrescentar mais um instrumento de prevenção.

Afinal, a embalagem acompanha o produto. Está presente no supermercado, no bar, na residência e em diferentes momentos de consumo. Pode ser, portanto, também um espaço permanente para lembrar que beber e dirigir é uma escolha capaz de colocar vidas em risco.

Outros países também avançam no debate

Em diferentes partes do mundo, cresce a discussão sobre a necessidade de tornar os rótulos das bebidas alcoólicas mais claros e informativos.

Países e organismos internacionais vêm debatendo advertências relacionadas aos riscos do consumo de álcool, utilizando mensagens de saúde, símbolos e outras formas de comunicação que possam ser facilmente percebidas pelo consumidor.

A comparação internacional demonstra que os rótulos deixaram de ser vistos apenas como um espaço comercial. Eles também podem cumprir uma função educativa e preventiva.

No caso brasileiro, a discussão poderia avançar ainda mais, trazendo para o debate uma questão específica e urgente: a violência no trânsito relacionada ao consumo de álcool.

Uma imagem de um veículo destruído, de uma via após um grave sinistro ou outra representação visual das consequências dessa escolha poderia ter um efeito diferente de uma frase que o consumidor já se acostumou a ignorar.

O objetivo não seria chocar por chocar, mas fazer com que a pessoa pense antes de tomar uma decisão que pode não ter volta.

Uma pauta que precisa ganhar força no Brasil

A inclusão de advertências relacionadas ao álcool e à direção já foi objeto de discussão no Congresso Nacional. Propostas legislativas apresentadas ao longo dos anos demonstram que existe espaço para aprofundar o debate.

Mas uma mudança dessa dimensão depende também da mobilização da sociedade.

É nesse contexto que ganha importância a iniciativa da FENASDETRAN, que vem defendendo o fortalecimento dessa pauta e buscando mobilizar entidades, órgãos e profissionais ligados ao trânsito.

A ABETRAN entende que a discussão merece ser ampliada e convida toda a comunidade que atua pela educação e pela segurança no trânsito a refletir sobre a proposta.

Não se trata de uma bandeira isolada de uma única instituição. É uma discussão que diz respeito a todos aqueles que trabalham diariamente para reduzir mortes e lesões no trânsito.

Se sabemos que o álcool pode alterar a percepção, reduzir reflexos e comprometer a capacidade de condução, é necessário perguntar se estamos fazendo tudo o que podemos para alertar a sociedade.

A advertência precisa ser vista

As campanhas de trânsito costumam repetir uma mensagem fundamental: se beber, não dirija.

Ela precisa continuar sendo divulgada.

Mas talvez tenha chegado o momento de perguntar se apenas repetir a frase é suficiente.

Uma advertência visual, presente diretamente na embalagem, poderia fazer parte de uma nova estratégia de conscientização. Poderia levar a mensagem até o consumidor antes que ele se sente ao volante.

A ABETRAN acredita que nenhuma medida isolada resolverá um problema tão complexo. Educação, fiscalização, legislação, responsabilidade individual e políticas públicas precisam caminhar juntas.

Porém, toda iniciativa capaz de provocar reflexão e contribuir para salvar vidas deve ser considerada.

A FENASDETRAN está levando essa discussão adiante. E a ABETRAN entende que essa é uma pauta que merece o apoio, a participação e o envolvimento de toda a comunidade do trânsito.

Porque uma imagem colocada em uma embalagem pode durar apenas alguns segundos diante dos olhos de quem a vê.

Mas, se fizer alguém desistir de dirigir depois de beber, poderá representar muito mais do que uma advertência.

Poderá representar uma vida preservada.

Abetran, 29 de setembro de 2026

George J Marques

TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!