Novos trechos serão instalados nas ruas São Paulo, Professor Moraes e Rio Grande do Norte

Segundo a PBH, as faixas exclusivas visam aumentar a velocidade dos coletivos, reduzir o tempo de espera nos pontos e melhorar a eficiência do transporte público (Fernando Junior / PBH)
Belo Horizonte já conta com aproximadamente 80 quilômetros de rotas que priorizam a circulação dos ônibus, entre faixas exclusivas e preferenciais. O trecho mais recente foi implantado na avenida Afonso Pena, na região Centro-Sul, e outros serão instalados nas ruas São Paulo, Professor Moraes e Rio Grande do Norte. Especialistas de trânsito defendem as pistas capazes de priorizar o transporte público.
A avenida Cristiano Machado tem a maior extensão de corredores só para ônibus em BH. São 11,5 quilômetros, segundo a Superintendência de Mobilidade do Município (Sumob). Mas há trechos espalhados por importantes vias, como Contorno, Amazonas, Abrahão Caram, Augusto de Lima, Dom Pedro II, Nossa Senhora do Carmo, Antônio Carlos, Raja Gabaglia e Vilarinho.Publicidade
Segundo a PBH, as faixas exclusivas visam aumentar a velocidade dos coletivos, reduzir o tempo de espera nos pontos e melhorar a eficiência do transporte público.
Para o consultor em trânsito Silvestre de Andrade, a prioridade aos ônibus deve ser analisada pela quantidade de pessoas transportadas, e não apenas pelo espaço ocupado pelos veículos. Segundo o especialista de tráfego, enquanto um ônibus leva, em média, cerca de 50 passageiros e ocupa o equivalente a dois ou três automóveis, um carro transporta, em média, 1,5 pessoa. “Quando se prioriza o transporte coletivo, você está com a perspectiva da mobilidade das pessoas e não a dos veículos”, afirma.Publicidade
Silvestre lembra, porém, que a implantação de uma faixa exclusiva não significa necessariamente melhora na fluidez do trânsito para os automóveis. Como parte do espaço viário passa a ser destinada aos ônibus, pode haver redução das faixas disponíveis para os demais veículos. O objetivo, segundo o consultor, é diminuir a interferência dos congestionamentos sobre o transporte coletivo e aumentar a capacidade de deslocamento de pessoas pela cidade.
Sobre a possibilidade de ampliar esse tipo de estrutura em Belo Horizonte, Silvestre avalia que novas prioridades ao transporte coletivo devem ser estudadas sempre que houver condições. A decisão, no entanto, não pode considerar apenas a quantidade de ônibus que passa por determinada via.
Quando carros podem entrar nas faixas exclusivas?
Em BH, as regras variam conforme a via e o horário indicado na sinalização. Em determinados corredores, a prefeitura permite que todos os tipos de veículos utilizem as faixas exclusivas a partir das 14h de sábado até 23h59 de domingo e durante as 24h dos feriados.
A liberação alcança trechos das avenidas João Pinheiro, Alfredo Balena, Dom Pedro II, Carlos Luz, Contorno e Andradas, além das ruas Padre Belchior e Goiás.
Fora dos períodos de liberação, veículos comuns só podem acessar as faixas exclusivas para realizar conversão à direita, entrar em garagens com guia rebaixada ou fazer embarque e desembarque nos locais permitidos.
Para conversões, o motorista deve entrar na faixa apenas nos pontos em que houver linha branca tracejada. Se a linha for contínua, não é permitido trafegar pelo espaço.
Invasão pode render multa
Os motoristas devem ficar atentos à diferença entre faixas exclusiva e preferencial. Na exclusiva, o espaço é reservado ao transporte coletivo durante o horário determinado. Na preferencial, outros veículos podem circular, mas os ônibus têm prioridade.
Circular irregularmente por uma faixa exclusiva destinada ao transporte público é infração gravíssima. A multa é de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Hoje em Dia, 14 de setembro de 2026
Ana Luísa Ribeiro
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!