Iniciativa visa segurança viária no entorno das escolas

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio da Coordenação de Multas e Educação para o Trânsito (CMET), está desenvolvendo uma ação integrada de mapeamento e cadastramento de escolas localizadas no entorno das rodovias federais. A iniciativa une tecnologia, dados geoespaciais e educação para assegurar a proteção de crianças e adolescentes em áreas de maior vulnerabilidade viária.
O trabalho consiste no levantamento georreferenciado das unidades escolares cadastradas no Programa Nacional de Educação para o Trânsito Conexão DNIT, cruzando suas coordenadas com a malha rodoviária federal e com o histórico de sinistros registrados. A partir dessa base, são identificadas áreas de influência com potencial risco, especialmente em trechos com travessia frequente, embarque e desembarque de estudantes e intensa circulação de veículos. Embora o ponto de partida esteja concentrado nas escolas do Conexão DNIT, a metodologia será progressivamente ampliada para contemplar demais instituições de ensino localizadas ao longo da malha rodoviária federal.
Até o momento, 279 escolas já foram identificadas e cadastradas na plataforma. A priorização das áreas não segue apenas critérios geográficos, mas um índice de criticidade que considera a gravidade dos sinistros registrados no entorno e volume de matrículas nas escolas.
A partir de 2026, o DNIT passa a aplicar um modelo de score de prioridade, que combina indicadores normalizados de fatalidades, lesões e população escolar, permitindo uma leitura mais precisa dos pontos mais sensíveis da malha rodoviária.
Integração com aplicativos de navegação
A iniciativa busca a integração de dados com plataformas de mobilidade digital. Por meio do programa Waze for Cities, o DNIT converte as informações mapeadas em perímetros de risco e zonas de atenção. Após validação, essas áreas passam a ser reconhecidas pelo sistema, que emite alertas preventivos aos motoristas ao se aproximarem de escolas situadas às margens das rodovias.
Na prática, o condutor recebe notificações visuais e sonoras em tempo real, indicando a entrada em uma área escolar e recomendando redução de velocidade e aumento da atenção. O alerta é ativado por geolocalização, permitindo antecipação suficiente para mudança de comportamento ao volante.
A proposta dialoga diretamente com estratégias de prevenção e com o uso de tecnologia aplicada à segurança viária, alinhando-se às diretrizes do PNATRANS e aos princípios da Visão Zero, que defendem a redução contínua de mortes e lesões graves no trânsito.
Segurança em áreas escolares
Áreas escolares são pontos particularmente sensíveis no sistema viário porque concentram, diariamente, o deslocamento de crianças e adolescentes em um ambiente de convivência direta com o tráfego das rodovias. Nesses locais, observam-se fatores de risco bem definidos, como o excesso de velocidade, travessias realizadas de forma insegura, estacionamento irregular e a grande intensidade de fluxo nos horários de entrada e saída das escolas.
“Quando somamos a presença dos estudantes à limitação de visibilidade em determinados trechos das rodovias, fica evidente a necessidade de medidas preventivas e antecipatórias. Crianças e adolescentes estão entre os usuários mais vulneráveis do trânsito, com menor capacidade de percepção de risco e maior imprevisibilidade de comportamento, o que exige dos condutores um nível ainda maior de atenção, prudência e responsabilidade ao se aproximarem dessas áreas”, afirma o coordenador de Multas e Educação do DNIT, Julio Pellizzon.
Ao antecipar a percepção do risco, o sistema contribui para mudanças imediatas de comportamento no trânsito. Motoristas tendem a reduzir a velocidade, aumentar a atenção ao ambiente e adotar uma condução mais defensiva ao serem avisados previamente sobre a presença de uma área escolar.
A iniciativa reforça a ideia de trânsito como espaço compartilhado, no qual a responsabilidade pela segurança é coletiva. O modelo integra tecnologia e comunidade escolar, ampliando a rede de proteção em torno dos estudantes.
Além disso, o DNIT avalia ampliar o fluxo de comunicação com escolas e gestores educacionais, informando sobre o cadastramento das unidades e fortalecendo o vínculo com a comunidade escolar como parte das ações educativas.
Educação e tecnologia integradas
A integração entre educação e tecnologia para o trânsito é o eixo central da iniciativa. Enquanto as soluções digitais permitem alertas em tempo real aos condutores, as ações educativas fortalecem a construção de uma cultura de mobilidade mais segura, baseada em responsabilidade coletiva e comportamento preventivo. Segundo Julio Pellizzon, “a expectativa é que a iniciativa contribua para a redução de sinistros nas proximidades de escolas e para o fortalecimento de uma abordagem sistêmica de segurança viária, baseada na antecipação do risco e na proteção dos usuários mais vulneráveis”, destaca o coordenador.
DNIT, 8 de julho de 2026
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!