A matemática do asfalto: como um ônibus substitui dezenas de carros em BH

Corredores implantados em vias como a Antônio Carlos se tornaram referência na organização do fluxo e na melhoria da eficiência do transporte coletivo Foto: Divulgação/SetraBH

Em uma cidade onde o tempo parece cada vez mais escasso, a discussão sobre mobilidade urbana volta ao centro do debate em Belo Horizonte. A implantação de novas faixas exclusivas para ônibus, como na Avenida João Pinheiro, reacende uma pergunta recorrente: elas ajudam ou atrapalham o trânsito?

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QUASE 1 MILHÃO DE PESSOAS NO ÔNIBUS TODOS OS DIAS

Em dias úteis, quase 1 milhão de passageiros utilizam o transporte coletivo na capital mineira. São trabalhadores, estudantes, famílias inteiras que dependem do ônibus para cumprir a rotina.

Um único ônibus pode transportar dezenas de pessoas de uma só vez. Se cada passageiro estivesse em um carro, o espaço ocupado nas vias seria significativamente maior.

Simulação mostra a diferença de ocupação viária: um único ônibus pode transportar dezenas de pessoas, enquanto veículos particulares costumam levar um ou dois ocupantes, demandando mais espaço nas vias. Foto: Divulgação/SetraBH

Belo Horizonte já ultrapassa a marca de 2,6 milhões de veículos registrados, número superior ao total de habitantes. Em um cenário como esse, a disputa por espaço nas ruas deixa de ser apenas uma questão de conforto e passa a ser um desafio estrutural de mobilidade.

O IMPACTO DAS FAIXAS EXCLUSIVAS

Hoje, a capital conta com mais de 74 quilômetros de faixas exclusivas e preferenciais para ônibus. A maioria delas opera nos horários de pico, organizando o fluxo nos momentos de maior demanda.

Estudos apontam que, onde há priorização, a velocidade dos ônibus pode aumentar em até 12%. À primeira vista, pode parecer pouco. Mas, na prática, significa viagens mais previsíveis e menos tempo perdido em congestionamentos.

Em alguns trechos da capital, durante horários de maior movimento, a velocidade média dos ônibus pode cair para cerca de 8 km/h quando inseridos no tráfego geral.

EXPERIÊNCIA QUE JÁ DEU CERTO

A capital mineira já vivenciou ganhos expressivos com a priorização do transporte coletivo. Corredores implantados nas avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado, além da faixa exclusiva da Pedro II, trouxeram maior previsibilidade às viagens e redução no tempo de deslocamento.

Especialistas em mobilidade urbana apontam que cidades que organizam o espaço viário com base na capacidade de transporte conseguem melhorar a fluidez geral, inclusive para quem utiliza veículo particular.

UMA ESCOLHA DE CIDADE

A discussão sobre faixas exclusivas não se resume a retirar ou conceder espaço. Trata-se de uma decisão sobre como organizar a cidade.

Campanha de conscientização busca ampliar o debate sobre mobilidade urbana, uso equilibrado das vias e a importância do respeito às regras que garantem o funcionamento das faixas exclusivas. Divulgação/SetraBH

Ao priorizar quem transporta mais pessoas, a cidade racionaliza o uso das vias, reduz retenções e torna os deslocamentos mais previsíveis.

Segundo a presidente executiva do SetraBH, Anna Carolina Masseo de Andrade, o debate precisa ser conduzido sob a perspectiva da eficiência urbana.

“A cidade precisa organizar o espaço urbano considerando a capacidade de transporte de cada modal. Quando priorizamos quem transporta mais pessoas, estamos fazendo uma escolha racional, que beneficia a mobilidade como um todo”, afirma Anna Carolina.

Em uma cidade que cresce e se transforma diariamente, decisões sobre mobilidade não dizem respeito apenas ao trânsito; dizem respeito à forma como a cidade escolhe funcionar.

O Tempo, 5 de março de 2026

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