Professora, escritora, pesquisadora e formadora, ela construiu uma trajetória singular ao aproximar literatura, música, sensibilidade, ciência e práticas pedagógicas da educação para a segurança e a cidadania no trânsito.

Irene Rios durante palestra no II Encontro Detran na Escola, em Alagoas, em 2025.
Algumas histórias começam em uma sala de aula. Outras começam em uma estrada, em uma lembrança ou em uma experiência que permanece viva por muitos anos. A história de Irene Rios reúne tudo isso.
Professora desde 1987, formada em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina, Irene levou para a educação para o trânsito uma característica que já fazia parte de sua maneira de ensinar: a capacidade de transformar assuntos complexos em experiências que despertam atenção, reflexão e participação.
Ao longo de quase quatro décadas de atividade profissional, percorreu diferentes espaços da educação. Esteve na Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no Ensino Médio, na Educação de Jovens e Adultos e no Ensino Superior. Tornou-se autora de livros e materiais educativos, ministrou cursos e palestras, atuou como consultora, participou de pesquisas e passou a estudar o trânsito também pela perspectiva da Psicologia.
Mas existe algo que torna sua trajetória particularmente singular. Irene não se limitou a ensinar o trânsito. Ela procurou descobrir novas maneiras de fazer com que as pessoas sentissem, compreendessem e incorporassem aquilo que estavam aprendendo.
Histórias, poesias, músicas, paródias, literatura, atividades lúdicas, recursos digitais e pesquisa científica passaram a fazer parte desse percurso. O resultado é uma trajetória em que diferentes linguagens se encontram com um mesmo propósito: contribuir para um trânsito mais seguro e para uma sociedade mais consciente.
UMA PROFESSORA QUE APRENDEU CEDO A VENCER DISTÂNCIAS

Irene durante as gravações do curta A Professora em uma Comunidade Alemã, produzido pelo projeto Revelando os Brasis, em 2008.
Em 1987, recém-formada no Magistério, Irene começou a trabalhar em Rio Forquilhas, uma comunidade de origem alemã em São Pedro de Alcântara, em Santa Catarina. A escola ficava em uma região de acesso difícil, com estradas de chão, e a realidade encontrada por ela exigia muito mais do que o domínio dos conteúdos escolares.
Muitas crianças tinham como primeira língua o dialeto alemão e algumas ainda não falavam português. A comunicação, portanto, também precisava ser construída. A jovem professora encontrou ali um dos primeiros grandes desafios de sua carreira: ensinar exigia compreender o contexto, adaptar a linguagem e criar caminhos para chegar até cada aluno.
A própria logística era uma experiência. Irene utilizava uma antiga motocicleta para chegar à comunidade. Quando o veículo deixou de funcionar, passou a permanecer durante a semana na casa de um casal de agricultores que a hospedava, retornando para casa aos sábados.
A experiência tinha ainda uma dimensão pessoal. Sua filha tinha apenas quatro meses, e ficar longe dela durante a semana acrescentava saudade a uma rotina já marcada por desafios.
Décadas depois, essa lembrança ganhou uma nova forma. Em 2008, Irene foi selecionada pelo projeto Revelando os Brasis e transformou aquela primeira experiência profissional no curta-metragem A Professora em uma Comunidade Alemã. Ela participou como roteirista, produtora e diretora.
A produção reuniu memória e realidade. Sua filha interpretou Irene na juventude, enquanto o casal de agricultores que a havia hospedado, Seu Saturnino e Dona Rosalina, interpretou a si próprio.
O filme é mais do que uma lembrança de começo de carreira. Ele revela uma característica que acompanha Irene até hoje: a capacidade de transformar experiências em narrativas capazes de alcançar outras pessoas.
UMA PERDA QUE DEU NOVO SENTIDO À SUA CAMINHADA
A aproximação de Irene com a educação para o trânsito ganhou uma dimensão ainda mais profunda em 2004, quando perdeu um irmão em um sinistro de trânsito.
A dor pessoal despertou nela o desejo de transformar a experiência em ação. A partir daquele momento, a educação para o trânsito passou a ocupar um lugar permanente em sua vida profissional.
Não se tratava apenas de escolher uma nova área de atuação. Havia uma motivação humana por trás da decisão: contribuir para que outras famílias não precisassem experimentar uma perda semelhante.
Sua formação como professora oferecia uma base importante para esse novo caminho. Irene já conhecia o poder da linguagem, da literatura e das estratégias pedagógicas. Faltava aproximar esses instrumentos de um tema que, até então, estava ganhando um significado completamente novo em sua vida.
A partir daí, educação e trânsito deixaram de ser campos separados. Irene começou a desenvolver materiais, ministrar cursos, participar de projetos, formar educadores e construir uma produção própria voltada à segurança viária.
Essa origem ajuda a compreender por que seu trabalho frequentemente ultrapassa a simples transmissão de regras. Há uma preocupação com o comportamento, com a percepção de risco, com a formação cidadã e com a maneira como uma mensagem educativa pode tocar quem a recebe.
A LITERATURA GANHA AS ESTRADAS
Em 2005, surgiu uma das primeiras publicações dessa nova fase: Transitando com Segurança: Educação para o Trânsito. A obra já apontava para uma característica que se tornaria marcante em sua produção: aproximar o conteúdo educativo da realidade de crianças e jovens.
Nos anos seguintes, Irene ampliou essa produção. Publicou Quem? Eu? Eu Não! E outras crônicas de trânsito, Manual para Motorista com agenda, Educação para o Trânsito: Livro didático e o Guia Didático de Educação para o Trânsito.
Em 2016, lançou a Coleção Transitando com Segurança, formada por histórias voltadas a diferentes situações do cotidiano. Diogo, o passageiro de ônibus, Que pressa, Luana!, O passeio de Bruna e Lucas ganhou uma bicicleta apresentam personagens e situações que permitem abordar segurança e cidadania por meio da narrativa.
A produção bibliográfica também inclui capítulos sobre educação para o trânsito e experiências de inserção do tema nas aulas de Língua Portuguesa. Essa combinação é reveladora. Irene não abandonou sua formação original ao entrar no campo do trânsito. Ao contrário, levou consigo a literatura, a linguagem e a criatividade.
Em suas mãos, uma história pode servir para discutir comportamento. Uma música pode ajudar a trabalhar cidadania. Uma poesia pode provocar reflexão. Uma atividade lúdica pode aproximar crianças de um tema que, apresentado apenas por meio de regras, poderia parecer distante.
Essa escolha metodológica é uma das marcas mais fortes de sua contribuição.
A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO COMO EXPERIÊNCIA, NÃO APENAS COMO CONTEÚDO

Irene durante seminário de educação para o trânsito em Quixeramobim, no Ceará, em 2011.
A experiência de Irene também ganhou espaço em cursos, oficinas e palestras. Ao longo dos anos, professores, estudantes, agentes de trânsito, servidores públicos, profissionais de segurança e instrutores estiveram entre os públicos com os quais trabalhou.
Ela ministrou cursos de capacitação, formação pedagógica e métodos e técnicas educativas para a mobilidade segura. Também trabalhou com formação de professores multiplicadores, uma estratégia importante para ampliar o alcance da educação para o trânsito dentro das escolas.
Em 2009, por exemplo, passou a atuar como docente em disciplinas de Educação no Trânsito e Campanhas Educativas de Trânsito. Em outros momentos, participou de cursos de Gestão e Direito de Trânsito, formação de agentes multiplicadores e projetos de educação para o trânsito.
Essa experiência acumulada permitiu que Irene conhecesse diferentes realidades e necessidades. Há contextos em que o desafio é formar professores. Em outros, preparar profissionais. Em outros ainda, construir projetos que façam o trânsito dialogar com o currículo escolar.
Sua proposta parte de uma compreensão ampla: educar para o trânsito é também educar para a convivência, para a responsabilidade, para a percepção de risco e para a cidadania.
QUANDO A CRIATIVIDADE VIRA MÉTODO
A criatividade não aparece na trajetória de Irene como mero recurso para tornar uma palestra mais agradável. Ela se transformou em método de trabalho.
Contação de histórias, literatura, paródias, músicas, poesias e atividades lúdicas passaram a dialogar com legislação, estatísticas, fatores de risco e situações concretas do cotidiano. A intenção é aproximar o conteúdo da experiência de quem aprende.
Essa abordagem ganhou nova expressão em 2026, com o curso Educação para o Trânsito: Linguagem Criativa. A proposta reúne diferentes linguagens e estratégias para a elaboração de ações educativas, mostrando que a criatividade continua sendo uma ferramenta atual em seu trabalho.
A ideia também aparece em produções como a paródia Ciranda do Trânsito, a música Paz no trânsito começa por você, poemas relacionados ao Maio Amarelo e conteúdos digitais voltados a crianças, jovens, educadores e público geral.
A diversidade dos formatos revela uma compreensão importante: pessoas diferentes aprendem de maneiras diferentes. Uma campanha pode informar, mas uma narrativa pode fazer alguém se reconhecer. Uma estatística pode alertar, mas uma história pode permanecer na memória. Uma música pode ser repetida e, junto com ela, uma mensagem de segurança.
É nesse território que Irene encontrou uma de suas principais contribuições para a educação para o trânsito.
DO TRABALHO EDUCATIVO À PESQUISA

Irene durante a defesa de seu Mestrado em Educação, em 2013.
A trajetória profissional também levou Irene para a investigação acadêmica. Em 2013, concluiu o Mestrado em Educação pela Universidade do Vale do Itajaí, com a dissertação Campanhas Educativas para o Trânsito: a percepção sensível de jovens e adultos.
O tema escolhido dialogava diretamente com sua experiência. Em vez de estudar as campanhas apenas como instrumentos de comunicação, Irene investigou a maneira como jovens e adultos percebem essas mensagens, aproximando Educação, Trânsito e Estética.
A pesquisa representou uma etapa importante porque trouxe para o campo acadêmico uma inquietação que já estava presente em sua prática: uma campanha precisa ser percebida, compreendida e capaz de produzir reflexão para cumprir sua finalidade.
Em 2022, iniciou o Doutorado em Psicologia do Trânsito na Universidade Federal do Paraná, na linha de pesquisa Avaliação e Prevenção, sob orientação da professora Alessandra S. Bianchi.
O doutorado amplia uma ponte que Irene vem construindo há anos. De um lado, está a experiência concreta de quem trabalha com educação, campanhas, escolas e profissionais. De outro, a investigação científica sobre comportamento, prevenção e segurança.
Essa aproximação entre prática e pesquisa também aparece em sua participação nas reuniões anuais da Sociedade Brasileira de Psicologia. Em 2023, 2024 e 2025, apresentou trabalhos relacionados à educação para o trânsito e às boas práticas desenvolvidas na área.
No VIII International Conference on Traffic and Transportation Psychology, participou de discussões relacionadas à implementação do Conexão DNIT e ao envolvimento das instituições educacionais na educação para o trânsito.
UMA PESQUISADORA DENTRO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Irene apresenta atividades de formação de condutores no IV EENET, em 2026.
Desde 2018, Irene atua como designer educacional na Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária, junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação para o Trânsito do Laboratório de Transportes e Logística da Universidade Federal de Santa Catarina.
Nesse espaço, participa do desenvolvimento de conteúdos pedagógicos e pesquisas aplicadas, com destaque para o Programa Nacional de Educação para o Trânsito, Conexão DNIT.
A atuação representa uma mudança de escala. A experiência que começou em uma sala de aula e depois se espalhou por cursos, livros e palestras passa também a contribuir para projetos estruturados em âmbito nacional.
O Conexão DNIT trabalha com educação para o trânsito em instituições de ensino e cria possibilidades para que o tema seja tratado de maneira transversal. Para Irene, essa abordagem encontra afinidade com sua própria trajetória, marcada pela defesa de uma educação que não fique isolada em uma disciplina.
A experiência acumulada com linguagem, literatura e metodologias educativas também encontra espaço nesse trabalho. Em 2026, durante o IV Encontro da Equipe Nacional de Educação para o Trânsito do DNIT, participou da apresentação de atividades para formação de condutores na Primeira Habilitação e da coleção Trânsito na Vida Real.
É uma demonstração de que sua trajetória continua produzindo novas ferramentas. A professora que aprendeu a ensinar em uma comunidade rural, a autora que transformou histórias em livros e a pesquisadora que investiga campanhas agora participa da elaboração de propostas destinadas a diferentes públicos.
UMA PRESENÇA QUE CONTINUA NA ESCOLA
A ampliação da atuação no trânsito não significou o abandono da escola. Irene manteve durante anos sua relação com o ensino de Língua Portuguesa e, entre 2023 e 2025, atuou na Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de São José.
Essa permanência é significativa. Mesmo depois de construir uma carreira consolidada na educação para o trânsito, Irene continuou exercendo aquilo que esteve na origem de sua trajetória: ensinar.
A experiência com Língua Portuguesa também continua presente em sua maneira de pensar a educação para o trânsito. A linguagem não é apenas uma forma de transmitir informações. Ela pode criar identificação, provocar emoções, organizar pensamentos e abrir espaço para novas compreensões.
É por isso que literatura e trânsito aparecem tantas vezes lado a lado em sua produção. Para Irene, formar cidadãos também passa pela capacidade de interpretar o mundo e fazer escolhas diante dele.
RECONHECIMENTO POR UMA TRAJETÓRIA QUE SE RENOVA

Irene recebe o Prêmio FENASDETRAN Amigos do Trânsito e da Vida, em 2025.
O trabalho desenvolvido por Irene recebeu reconhecimento em diferentes momentos. Em 2016, recebeu o 5º Prêmio Fenabrave/SC na categoria Educação para o Trânsito.
Em 2025, foi contemplada com o Prêmio FENASDETRAN Amigos do Trânsito e da Vida. O reconhecimento veio em uma fase em que sua atuação já reunia livros, materiais educativos, formação, pesquisa, cursos, projetos e presença crescente nos ambientes digitais.
Mais do que uma coleção de distinções, esses reconhecimentos representam diferentes momentos de uma mesma trajetória: primeiro a professora, depois a educadora especializada, a autora, a pesquisadora e, atualmente, uma profissional que transita entre ciência, escola, formação e comunicação.
A PESQUISA TAMBÉM GANHOU VOZ NAS REVISTAS
Em 2026, Irene ampliou sua produção de textos sobre temas atuais da segurança viária. Seus artigos na Revista do Trânsito abordaram questões que fazem parte do cotidiano e, ao mesmo tempo, exigem reflexão sobre comportamento e educação.
Entre os temas publicados estão os números da violência no trânsito, competências e habilidades para a segurança, uso do celular, cultura da pressa, presença do álcool nas músicas, campanhas destinadas a motociclistas e as razões pelas quais as pessoas obedecem ou não às regras.
Os próprios títulos revelam uma característica de sua escrita: ela procura transformar questões conhecidas em perguntas que provoquem reflexão. Quando pergunta se as pessoas obedecem às regras porque existe multa ou porque existe risco, por exemplo, desloca o debate da punição para a consciência.
Quando discute a cultura da pressa ou o uso do celular, aproxima o trânsito de comportamentos que estão presentes na vida cotidiana. Quando analisa campanhas para motociclistas, questiona estratégias e procura compreender quais mensagens podem ser mais efetivas.
É uma continuidade natural de sua pesquisa sobre campanhas educativas. Anos depois da dissertação de mestrado, a pergunta permanece, mas os temas se renovam.
EDUCAÇÃO QUE ENCONTRA NOVOS CAMINHOS NA INTERNET
A presença digital ampliou ainda mais o alcance desse trabalho. O blog Irene Rios Educação para o Trânsito reúne artigos, materiais educativos, músicas, poesias, estatísticas, vídeos, campanhas e registros de experiências.
Nas redes sociais, a proposta ganhou novos formatos. O perfil @irenerios.transito reúne mais de 16 mil seguidores e apresenta informações sobre trânsito, estatísticas, poemas, músicas, campanhas, atividades educativas e materiais visuais.
É uma mudança importante na forma de levar educação para o trânsito ao público. O conteúdo que antes dependia de um livro, uma sala de aula, uma palestra ou um congresso agora pode chegar ao celular das pessoas.
Irene também utiliza recursos simples e criativos. Em 2026, entre suas produções digitais, aparece o Caça-palavras da Educação para o Trânsito: Antes de seguir, pense e escolha!. Em anos anteriores, publicou poemas, músicas, paródias e conteúdos relacionados ao Maio Amarelo, à paz no trânsito e à reflexão sobre comportamentos.
A tecnologia, nesse caso, não substitui sua linguagem. Ela amplia o espaço onde essa linguagem pode circular.
UMA AGENDA QUE CONTINUA EM 2026
A atualidade da trajetória de Irene é uma característica que merece destaque. Ela não está apenas reunindo experiências de décadas passadas. Continua estudando, escrevendo, ensinando, participando de encontros e desenvolvendo propostas educativas.
Em 2026, participou do IV Encontro da Equipe Nacional de Educação para o Trânsito do DNIT, de atividades do Maio Amarelo e de espaços de formação. Também mantém a produção de artigos sobre segurança viária e conteúdos para os ambientes digitais.
Em eventos recentes, sua atuação passou por temas como formação de condutores, educação para a cidadania, práticas universitárias de educação para o trânsito e linguagem criativa. Essa variedade mostra que sua atividade atual continua ligada às mesmas perguntas que acompanham sua carreira, mas com novos públicos e novas ferramentas.
Ao mesmo tempo em que aprofunda a pesquisa em Psicologia do Trânsito, Irene continua conectada à prática educativa. Essa combinação faz com que sua história não seja apenas uma retrospectiva. É uma trajetória em construção.
UMA MULHER QUE FEZ DA LINGUAGEM UMA FERRAMENTA DE SEGURANÇA
Talvez a melhor maneira de compreender a contribuição de Irene Rios seja observar o caminho percorrido por suas diferentes identidades profissionais.
A professora trouxe a experiência da escola. A profissional de Letras trouxe a força da linguagem. A especialista em educação para o trânsito trouxe conhecimento técnico. A autora transformou conceitos em histórias. A pesquisadora passou a investigar a percepção e a prevenção. A designer educacional participa hoje da criação de conteúdos e propostas de alcance nacional.
Nenhuma dessas etapas apagou a anterior. Elas foram se somando.
É isso que torna sua trajetória tão rica. Irene não precisou escolher entre literatura e trânsito, entre escola e pesquisa, entre criatividade e conhecimento técnico. Encontrou justamente na combinação desses campos uma forma própria de educar.
Sua produção mostra que segurança viária também pode ser discutida por meio de uma história, de uma música, de um poema, de uma pergunta ou de uma atividade que faça o estudante pensar antes de agir.
Ao trabalhar com educadores, ela amplia a capacidade de multiplicação dessa mensagem. Ao pesquisar, procura compreender melhor o que funciona. Ao escrever, registra ideias. Ao participar de congressos, coloca suas experiências em diálogo com outros pesquisadores e profissionais. Ao usar as redes sociais, aproxima o tema de um público que talvez nunca participe de um curso.
Em todas essas frentes, a educação permanece como ponto de encontro.
HISTÓRIA QUE NÃO PAROU NA PRIMEIRA SALA DE AULA
A primeira sala de aula de Irene ficava em uma comunidade de acesso difícil. Ali, uma jovem professora descobriu que ensinar também significava encontrar maneiras de atravessar distâncias.
Quase quatro décadas depois, as distâncias mudaram. Hoje, uma aula pode acontecer em um encontro nacional, uma pesquisa pode ser apresentada em um congresso internacional, um artigo pode alcançar leitores em diferentes estados e uma atividade educativa pode chegar a uma escola por meio de um programa de alcance nacional.
Mas a essência continua a mesma: encontrar a melhor maneira de chegar até as pessoas.
A história de Irene Rios merece estar entre as Histórias que Movem o Brasil porque mostra uma forma particular de transformar o trânsito: pela educação que sensibiliza, pela criatividade que aproxima, pela pesquisa que questiona e pelo conhecimento que se multiplica.
Sua caminhada começou na escola, encontrou o trânsito, passou pelos livros, ganhou imagens no cinema, chegou à pesquisa acadêmica, alcançou projetos nacionais e continua presente nas salas de aula, nos congressos, nas revistas e nas redes sociais.
Em 2026, Irene segue estudando, produzindo e compartilhando conhecimento. E talvez seja justamente essa continuidade a parte mais bonita de sua trajetória.
Porque algumas pessoas passam pelo trânsito profissionalmente. Irene Rios fez do trânsito um espaço permanente de educação, reflexão e cuidado com a vida.
Abetran, 30 de outubro de 2026
George J Marques – Fotos: Arquivo Irene Rios
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!