Auditoria identifica falhas na gestão do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito e reforça a necessidade de integração entre União, estados e municípios. Para a ABETRAN, o diagnóstico confirma que salvar vidas exige mais do que leis, exige planejamento, dados confiáveis e educação permanente.

Plano existe, mas resultados ainda não acompanham a urgência da realidade
O Brasil convive diariamente com uma das mais graves crises de saúde pública e segurança viária do mundo. Enquanto milhares de famílias são atingidas por mortes e lesões graves provocadas pelos sinistros de trânsito, a meta nacional de reduzir esses índices pela metade até 2030 permanece distante.
Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans), criado justamente para enfrentar esse desafio, apresenta fragilidades que comprometem sua efetividade.
Entre os principais problemas apontados estão dificuldades de coordenação entre os diferentes níveis de governo, deficiência na produção e integração de dados sobre sinistros, ausência de mecanismos consistentes para acompanhar os investimentos públicos e limitações na gestão dos riscos da própria política nacional.
Segundo o TCU, essas falhas dificultam tanto a avaliação dos resultados quanto a adoção de medidas corretivas capazes de acelerar a redução da violência no trânsito.
Dados confiáveis salvam vidas
Uma política pública só pode ser eficiente quando é baseada em informações consistentes.
A auditoria demonstrou que ainda existem diferenças importantes na forma como estados e municípios registram os sinistros de trânsito, o que impede uma visão precisa da realidade nacional. Sem dados padronizados, torna-se mais difícil identificar os locais mais perigosos, compreender os fatores de risco e direcionar investimentos para onde eles realmente são necessários.
Para a ABETRAN, esse é um ponto central.
Não basta contabilizar números. É preciso transformar informações em inteligência para orientar ações de engenharia, fiscalização, atendimento às vítimas e, principalmente, educação para o trânsito.
A produção de indicadores confiáveis é um dos pilares de qualquer estratégia moderna de segurança viária.
Educação precisa ocupar papel estratégico
Outro aspecto evidenciado pelo cenário analisado é que reduzir mortes não depende exclusivamente da aplicação de multas ou do endurecimento da legislação.
Experiências internacionais mostram que os melhores resultados surgem quando educação, engenharia, fiscalização, atendimento às vítimas e gestão pública atuam de forma integrada.
A ABETRAN defende há mais de duas décadas que a educação para o trânsito deve ser tratada como política permanente de Estado, iniciando ainda na infância e alcançando motoristas, motociclistas, ciclistas, pedestres e todos os usuários das vias.
Sem mudança de comportamento, nenhuma meta estatística se sustenta ao longo do tempo.
O desafio vai além dos recursos financeiros
Outro ponto destacado pela fiscalização diz respeito à dificuldade de identificar exatamente quanto o poder público investe em segurança viária.
Quando os recursos estão distribuídos entre diversos programas e órgãos, sem mecanismos claros de acompanhamento, torna-se mais complexo avaliar se os investimentos são suficientes e se estão produzindo os resultados esperados.
Para especialistas em gestão pública, transparência e planejamento caminham juntos. Conhecer onde os recursos são aplicados permite corrigir prioridades e aumentar a eficiência das políticas públicas.
Um chamado à ação
O Tribunal de Contas da União determinou que a Secretaria Nacional de Trânsito adote medidas para aperfeiçoar a gestão do Pnatrans, incluindo a criação de um modelo nacional padronizado para coleta de dados sobre sinistros e processos formais de gestão de riscos. Também foram propostas melhorias na identificação dos recursos destinados às políticas de segurança viária.
O diagnóstico reforça uma constatação que a ABETRAN vem defendendo há anos: enfrentar a violência no trânsito exige compromisso permanente, integração entre os entes federativos e continuidade das políticas públicas, independentemente das mudanças de governo.
Mais do que cumprir uma meta estabelecida para 2030, o verdadeiro objetivo deve ser preservar vidas.
Cada número representa uma pessoa, uma família e uma história interrompida. E nenhuma estratégia nacional será plenamente eficaz enquanto educação, planejamento, informação de qualidade e gestão integrada não ocuparem o centro da política de segurança viária brasileira.
George J Marques
Presidente da ABETRAN – Associação brasileira de Educação para o Trânsito
16 de julho de 2026
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!