Quem for flagrado soltando pipa com cerol pode ser preso, além de pagar multa

Milena Gonzaga quase ficou cega após grave acidente com cerol cerca de duas há duas semanas na região Norte de BH (Arquivo Pessoal)
“Brincadeira” perigosa, capaz até de matar, a prática de empinar pipas com o uso de cerol ou linha chilena aumenta em julho, mês das férias e que abre a temporada de ventos fortes. O alerta para os acidentes provocados pela prática ilegal volta a ganhar força em Belo Horizonte. Dados do Hospital de Pronto Socorro (HPS) João XXIII e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital mostram 35 pessoas feridas pelas linhas cortantes entre janeiro e maio, média de praticamente duas por semana.
Os números reúnem 13 pacientes com ferimentos graves levados para o HPS, referência em emergência, e 22 nas UPAs. No ano passado, os dois serviços contabilizaram 69 ocorrências. As principais vítimas são os motociclistas. Mas, neste ano, até mesmo um bebê de apenas 1 ano morreu na Grande BH. Quem for flagrado soltando pipa com cerol pode ser preso, além de pagar multa.Publicidade
Os perigos da linha cortante foram “sentidos na pele” de Milena Miranda Gonzaga, de 28 anos, em um acidente ocorrido há duas semanas na região Norte de BH. Horas após comprar e retirar da concessionária a moto que utilizaria para trabalhar, ela foi atingida no rosto por uma linha atravessada em uma rua. Por poucos centímetros, a motociclista não ficou cega.
Segundo a mulher, o acidente ocorreu por volta das 14h. Como havia acabado de comprar o veículo, ainda não tinha instalado a antena de proteção. “Na hora que eu vi, a linha já estava passando no meu rosto. Caí da moto e senti muita dor. Um vizinho me socorreu e me levou para a UPA”, contou. Milena recebeu nove pontos na região entre os olhos e ficou dez dias sem trabalhar. Publicidade
Morte de bebê
No mês passado, um caso chocou os mineiros. Um bebê de apenas 1 ano e 9 meses morreu após ser atingido por uma linha com cerol no bairro Arvoredo II, em Contagem. Um homem de 19 anos foi preso após confessar que estava soltando pipa com linhas cortantes na região. Conforme informações da Polícia Militar (PM), a linha teria se enroscado em uma motocicleta que passava pelo local, sendo arrastada. O material atingiu o pescoço da criança, que estava em um velotrol, acompanhado da irmã.
Combate ao cerol
Em janeiro deste ano, foi sansionada a Lei 11.958/2026, que institui o “Julho Branco” no calendário oficial de BH, criando um mês dedicado à conscientização e à prevenção de acidentes causados por linhas cortantes.
Na tentativa de combater o uso de cerol e linhas chilenas nas férias escolares, a Polícia Militar (PM) lançou no último dia 23 a Operação Linha Segura. A ação prevê atividades educativas, fiscalização em pontos de venda e apreensão de materiais proibidos.
Segundo o porta-voz da corporação, capitão Rafael Veríssimo, a operação terá caráter preventivo e repressivo. A instituição fará “abordagens educativas” em espaços públicos para falar sobre a ilegalidade e os riscos do uso das linhas cortantes.
“Ao mesmo tempo, haverá fiscalização em estabelecimentos que comercializam esses materiais, sobretudo as linhas chilenas, que têm um potencial cortante muito expressivo”, afirmou Veríssimo.
O uso de linhas cortantes é proibido em Minas. A legislação considera ilegal qualquer linha modificada com substâncias cortantes ou produzida com esse fim. Segundo Veríssimo, em casos de acidentes, os responsáveis podem responder por lesão corporal e até homicídio.
Hoje em Dia, 29 de junho de 2026
Bernardo Haddad
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!