
Com 70% das admissões do Hospital João XXIII em 2026 envolvendo motociclistas, queda nas habilitações e aumento de condutores sem categoria A acendem alerta para a segurança no trânsito
O avanço dos acidentes com motocicletas em Belo Horizonte voltou a acender um alerta sobre a segurança viária e a necessidade de fortalecimento da formação de condutores. Dados divulgados pelo portal BeloHorizonteMG, com base em informações da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), revelam um cenário preocupante: 70% das admissões no Hospital João XXIII em 2026 são de motociclistas, o equivalente a 2.382 atendimentos dos 3.431 registrados no período.
A escalada dos acidentes também aparece em outro indicador. Segundo a Fhemig, os registros envolvendo motociclistas cresceram 46% nos últimos cinco anos em Belo Horizonte. O reflexo é sentido diretamente no Hospital João XXIII, referência em urgência e trauma no estado. Em 2021, foram registradas 4.795 entradas por acidentes de moto; já em 2025, o número saltou para 6.876 atendimentos.
Paradoxalmente, enquanto os acidentes aumentam, o número de pessoas habilitadas para pilotar motocicletas vem diminuindo. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) apontam que as habilitações nas categorias A e AB tiveram queda de aproximadamente 16% entre 2021 e 2025 na capital mineira.
Ao mesmo tempo, levantamentos do Observatório de Segurança Pública e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) mostram crescimento nos flagrantes de condutores pilotando motocicletas sem a habilitação exigida para a categoria A, ampliando a preocupação em torno da preparação técnica e da consciência no trânsito.
Para o presidente do Sindicfc-MG, Alessandro Dias, os números exigem uma reflexão urgente sobre o papel da formação na preservação de vidas. “Quando vemos um aumento tão expressivo nos acidentes, ao mesmo tempo em que cai o número de habilitados e cresce a circulação de motociclistas sem formação adequada, é impossível não acender um alerta. Pilotar uma moto exige técnica, percepção de risco e responsabilidade. A habilitação não é burocracia; é preparo para salvar vidas”, afirma.
O presidente do Sindicfc-MG também defende o fortalecimento das políticas de educação para o trânsito e a valorização do processo de formação dos motociclistas. “Precisamos estimular a formação regular e qualificada. A autoescola tem um papel fundamental nesse processo, preparando o aluno não apenas para passar em um exame, mas para enfrentar os desafios reais do trânsito com segurança. Quando a formação perde espaço, todos pagam a conta, inclusive o sistema de saúde”, destaca.
Diante do aumento da frota de motos, do uso crescente do veículo como ferramenta de trabalho e dos índices de sinistros, especialistas do setor defendem que o debate sobre mobilidade e segurança viária passe, necessariamente, pela educação no trânsito e pela conscientização sobre a importância da habilitação regular.
Sindicfc-MG, 27 de maio de 2026
TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!