CDL/BH articulou projeto e garantiu R$ 400 mil para fase piloto

(Maurício Vieira/Arquivo Hoje em Dia)

Na tentativa de oferecer mais segurança e reorganizar o trânsito em Belo Horizonte, as faixas exclusivas para motos serão colocadas em prática na Via Expressa, que liga BH a Contagem. A instalação de corredores exclusivos para motocicletas é defendida por empresários da capital. Na avaliação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/BH), a chamada Faixa Azul terá impacto direto na vida dos entregadores e na economia da metrópole.

Segundo a entidade, motociclistas e motofretistas têm papel estratégico no funcionamento do comércio e dos serviços, especialmente após a expansão das entregas rápidas nos últimos anos. “Esses profissionais são essenciais para a logística urbana. Garantir melhores condições de circulação significa proteger vidas e também fortalecer a atividade econômica”, afirma o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva.Publicidade

R$ 400 mil para viabilizar o projeto-piloto

A Câmara de Dirigentes Lojistas afirma atuar desde 2016 em prol da instalação das motofaixas em Belo Horizonte. Durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual (LOA 2026), a CDL/BH apresentou proposta que garantiu R$ 400 mil para viabilizar o projeto-piloto. Conforme a entidade, o recurso foi aprovado pela Câmara Municipal, sancionado pelo Executivo e está disponível – a PBH não deu detalhes sobre o uso do dinheiro.

Em março deste ano a CDL/BH enviou ofício à Senatran cobrando autorização para a implantação de motofaixas em Belo Horizonte. Publicidade

“A implantação das motofaixas é uma medida já aplicada em outras cidades, com potencial para reduzir acidentes,  aumentar a segurança e melhorar a circulação urbana. É um ganho para toda a cidade”, acrescenta Marcelo de Souza e Silva.

Instalação na Via Expressa é válida, mas na Cristiano Machado, não 

No Brasil, as faixas exclusivas para motocicletas não estão previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A autorização provisória depende do aval da Senatran – o que ocorreu agora em Belo Horizonte. Cidades como São Paulo já adotaram o modelo.

Conforme o Hoje em Dia tem mostrado, especialistas em tráfego reforçam que as análises devem ser criteriosas, levando em conta sempre as dimensões das vias. O consultor em transporte e trânsito, Osias Baptista, avalia que o mecanismo funciona bem na capital paulista justamente por isso.

“Tem de se verificar as dimensões das avenidas em BH, para ver se cabe, e compatibilizar com os projetos de faixa exclusiva de ônibus. Possivelmente, na Via Expressa, Antônio Carlos, Pedro I e Andradas seja possível. Nas avenidas Cristiano Machado, Pedro II e Amazonas, dificilmente”, destacou. 

Osias, que também é motociclista, afirma que a faixa azul pode ajudar a reduzir os índices de acidentes em BH, mas também depende dos cuidados tomados pelos pilotos. “Uma questão importante em BH é que praticamente não existe fiscalização de comportamento dos motociclistas, que se sentem à vontade para infringir todas as regras, o que causa grande parte dos acidentes”.

Hoje em Dia, 28 de abril de 2026

Bernardo Haddad

TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!