Trânsito brasileiro, realidade e ficção. Não existe meio termo, quando se fala de qualidade de trânsito nas vias das capitais desse imenso país. Ou o trânsito é bom, ou é ruim. Mascarar a realidade, apresentando gráficos duvidosos e pouco confiáveis de mensuração da qualidade do trânsito, é desnecessário, quando se vê, a olhos nus, o que acontece na rotina do amanhecer e entardecer das nossas capitais. Não é preciso contratar especialistas, engenheiros, técnicos para constatar o caos em que nos encontramos. Pergunte ao pedestre, ao motorista, ao motociclista, ao cadeirante, e a outros atores de nossas vias de locomoção, que obteremos um retrato fiel de nossa realidade. Para piorar, mais de um milhão de veículos passaram a circular diuturnamente nas capitais brasileiras, pelo advento do serviço de aplicativo, com um grande número de motoristas inadaptados para prestar esses serviços, ocasionando infrações, interrupções e confusões de toda ordem, diminuindo ainda mais a tão desejada educação no trânsito brasileiro. Se está pior, vejamos então o trânsito de motociclistas nas vias urbanas, que vem adotando um novo comportamento para circular livremente. Aliás, circular livremente é algo impossível nos nossos dias, mas eles teimam em conduzir suas motocicletas por entre os veículos, reivindicando, através da ensurdecedora e irritante buzina, que se tornou um símbolo do “sai da minha frente”. Agora, eles circulam na faixa amarela que delimita a circulação em vias opostas, chegando a transitar na contramão para avançar em seus trajetos. Se preciso for, utilizam até os passeios para transpor os veículos à frente. A pressa acelera a ignorância e a falta de educação. Atropela as regras, invade o direito do outro, fere a cidadania e se transforma numa arma de destruição da qualidade de vida de todos nós.