Uma sociedade que se desenvolve é uma sociedade que está atenta aos seus direitos e deveres. Mais do que isso, é uma sociedade exigente que se informa, e se defende da exploração comercial dos maus prestadores de serviços que surgem a todo instante.

Porém, uma sociedade sem esses atributos, é uma mera depositária dos desserviços e do atraso, sendo ela mesma, vítima de suas mazelas e de seu eterno subdesenvolvimento.

A modalidade de transporte público em veículo de duas rodas, leia-se motocicletas, através dos aplicativos existentes no país, é um completo desrespeito ao seu usuário e uma arbitrária afronta às Leis de trânsito, sem que nenhuma das partes (usuário e autoridades) reajam à sua irresponsável e descabida prática.

Senão vejamos a condição de transporte a que está sujeito o usuário. Não possui nenhum equipamento de segurança para ser transportado, a não ser um capacete sujo, utilizado por outros usuários, que ele coloca em sua cabeça, respirando as impurezas do passageiro anterior, e vulnerável a um contágio bacteriano ou virótico qualquer. Já ouvi casos de passageiros que contraíram piolho e herpes.

Motocicletas em mal estado de conservação, sujas e amassadas, com lanternas quebradas e sem nenhuma identificação de veículo de transporte público.

Motociclistas com domínio de direção duvidoso, inseguro, principiante e sem nenhum treinamento ou habilitação oficial para transporte público de passageiros, que transitam fora da faixa de demarcação, no sentido da contramão.

Aliás, a faixa de demarcação do sentido de circulação de veículos, já se tornou via de trânsito há tempos!

Tal qual aos ônibus que trafegam por nossas ruas e avenidas, num estado caótico e desumano, amassando pessoas e triturando vidas, o transporte público de aplicativos para motocicletas segue o mesmo caminho, sem que nenhuma medida seja tomada para garantir a comodidade, a segurança e a dignidade da população que o utiliza.

As estatísticas de acidentes? Ah sim, os números de traumas, invalidez permanente e mortes, continuam assustando e entristecendo nossa história, no trânsito e na vida de uma sociedade de terceiro mundo.