Somos uma espécie estranha. Ao mesmo tempo em que somos capazes de odiar e temer, também estamos sujeitos a ímpetos de violência e agressão.
Violência é, por definição é um comportamento humano que visa ou que pode causar dano à outra pessoa. É o ato atentatório contra a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo contra a vida de outro.
Dentre tantas chagas sociais como a fome, o desemprego e a miséria, há uma violência decorrente do nosso modelo de circulação: o acidente de trânsito. A violência no trânsito no Brasil é um fenômeno que provoca a perda de dezenas de vida diariamente e suas consequências são dramáticas na vida de todos nós.
Anualmente são registrados 1,5 milhão de acidentes de trânsito no Brasil, com cerca de 400 mil pessoas feridas, resultando na morte de 35 mil pessoas/ano. Aproximadamente 7.5 milhão de pessoas se envolvem, de alguma forma, em acidentes de trânsito no período de um ano
O trânsito violento interfere no tecido social, prejudica as relações sociais e contribui para o quadro da perda da qualidade de vida. Privilégios na circulação precisam ser alterados. O automóvel, que ocupa 60% do espaço disponível para a circulação nas cidades, transporta somente cerca de 20% da população.
No Brasil, o acidente de trânsito é tratado como uma fatalidade, um acontecimento fortuito e não previsto. Em tese, os condutores não saem às ruas com seus veículos para matar ou ferir pessoas deliberadamente. Embora o acidente seja involuntário, os motoristas incorrem em ato violento por imprudência, imperícia ou negligência. Essa forma de violência recebe um tratamento de crime culposo e não doloso, fazendo com que a impunidade acabe elevando o fator de risco e os índices de acidentes no trânsito.
É opinião unânime que, para erradicar a violência no trânsito é preciso uma mudança cultural. Democratizar o uso do espaço urbano atualmente exige das autoridades uma nova postura, uma atitude mais firme em defesa da vida e do meio ambiente.
O trânsito seguro é um direito do cidadão e um dever do estado. Portanto, a segurança no trânsito é uma política pública de responsabilidade dos municípios, estados e União.
Será que algum dia nós, homens, mulheres, pais, filhos e filhas, seres humanos - nos tornaremos mais pacíficos? Será que um dia veremos uma política pública que atenda as interesses do coletivo preservando a vida de todos que circulam no país?
Defenda você também uma nova ordem social com base nos valores da mobilidade sustentável.
*Diretora do Instituto Rua Viva e Consultora do Diário do grande ABC
Fonte : Portal Perkons