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Pintura de ciclofaixas, redesenho do viário e melhoria da segurança para pedestres trouxe redução de acidentes. Projeto está entre os dez melhores do Evonik Awards 2017

Um projeto de sinalização viária para melhorar a segurança de ciclistas e pedestres desenvolvido na rua José de Alencar, em Porto Alegre (RS) acaba de ser premiado como um dos "Top 10" do concurso internacional Evonik Road Safety Award 2017. 

A intervenção baseou-se na simples sinalização de solo, com a demarcação de faixas para bicicletas, melhoramento nas travessias para pedestres e redesenho das faixas de carros, para a redução das velocidades. A inovação foi implantada pela Gerência de Projetos e Estudos de Mobilidade da EPTC, sob coordenação da engenheira Alessandra Andrea Both. Com o sucesso, as mesmas medida passaram a ser adotadas em outras vias da capital gaúcha. 

Veja o texto do projeto e a galeria de fotos com imagens da via antes e depois das intervenções.  

"O município de Porto Alegre conta desde o ano de 2009 com o Plano Diretor Cicloviário Integrado, que propôs uma rede cicloviária estrutural instituída por lei. Desde 2012 o executivo municipal intensificou a implantação de ciclovias, ampliando a rede de 8,0 km (2011) para 44,7 km (2016).  

Os projetos cicloviários desenvolvidos priorizaram a ocupação da via pelas pessoas, através da oferta de uma infraestrutura adequada para o transporte coletivo, o pedestre e o ciclista. A proposta garante segurança e acessibilidade universal através da implantação de travessias, áreas de acumulação para o pedestre, estendendo a área de calçada com pintura na faixa de rolamento, além da criação do espaço exclusivo para o ciclista.  

O resultado efetivo é a ocupação desses espaços pelos usuários, proporcionando o aumento da segurança viária para todos, o disciplinamento do trânsito e a redução do número de acidentes após sua implantação. No monitoramento do uso verificou-se um aumento do respeito ao pedestre e ciclista nas faixas de travessia, evidenciando que a sinalização horizontal ostensiva é um bom instrumento para a mudança cultural. 

Os investimentos nos modais ativos (a pé e transporte cicloviário) resultam comprovadamente em cidades mais seguras. As estatísticas recentes em Porto Alegre demonstram a redução significativa de acidentes envolvendo bicicletas, com redução de 43,8% nos últimos cinco anos, período no qual se intensificaram os investimentos na infraestrutura cicloviária. Analisando os acidentes ao longo dos últimos cinco anos na rua José de Alencar, identificou-se a ocorrência de 39 atropelamentos e 4 acidentes com bicicletas. Na análise das ocorrências, realizada após seis meses da implantação do projeto, não houve registro de atropelamentos e de acidentes envolvendo bicicleta. 

O tratamento realizado na rua José de Alencar priorizou o transporte coletivo e os modais ativos (a pé e transporte cicloviário), atuando diretamente para a mobilidade sustentável. Além disso, buscou simplificar as soluções adotadas, priorizando a utilização de sinalização horizontal e evitando o uso de materiais mais robustos, como semáforos. Dessa forma e com excelente resultado, o projeto exigiu pouco investimento financeiro e buscou ser o menos impactante para o ambiente, proporcionando segurança e incentivando a população ao uso de transportes sustentáveis. 

O projeto implantado priorizou a circulação de pessoas de forma a garantir a segurança viária e o equilíbrio entre as opções de deslocamento oferecidas à população, foram criados espaços anteriormente inexistentes para o pedestre e o ciclista e oferecidas condições de travessia segura ao longo da via. O disciplinamento realizado pelo projeto organiza os deslocamentos e prioriza os modos ativos de transporte.

A implantação de ilhas para acumulação do pedestre, em cores que favoreçam a visibilidade, já está sendo replicada no município, pois oferece uma alternativa eficiente para maior proteção das pessoas, com baixo investimentos para sua realização e com boa aceitação por parte dos usuários. Exemplos são os projetos cicloviários implantados nas ruas Ecoville, Neusa Goulart Brizola, Mariante-Silva Só e Loureiro da Silva."

Ciclofaixa e ponto de táxi
Após a publicação desta matéria, um leitor do Mobilize questionou o posicionamento de uma ciclofaixa, que em uma das fotos (veja acima) aparece contornando por fora o ponto de táxi. Sobre essa solução, a engenheira Alessandra Both, gerente de Projetos e Estudos de Mobilidade da GPEM/EPTC, respondeu o seguinte:

"Quanto à opção de passar a ciclovia por fora do ponto de táxi, trata-se de uma solução provisória, pois a solução definitiva é um recorte no recuo viário do hospital para abrigar os táxis. Este recorte está na contrapartida do Hospital Mãe de Deus a quem atende este ponto de táxi e deverá ser executado ainda.
Mesmo sendo solução provisória, a medida imediata adotada foi antecedida de pesquisas e testes 'in loco', considerando volumes veiculares, manobras dos ônibus e dos táxis, segurança dos ciclistas, acesso ao hospital e conforto dos usuários do transporte individual por táxi.
Como se trata de hospital, o ponto tem muitos usuários com deficiência temporária e idosos, além da abertura frequente das portas. Desta forma, passar os ciclistas entre os táxis e a calçada se mostrou a pior alternativa: a mais desconfortável para todos. Passando por fora do táxi não afetamos os usuários, negociamos a solução com os taxistas e os conflitos com os ciclistas não ocorreram. 
Sinalizamos o desvio da ciclovia com tachões, segregadores e balizadores. Tivemos um resultado muito satisfatório para todos os usuários com a opção pelo lado esquerdo do táxi, o que não teria ocorrido pelo lado direito. O objetivo maior não foi proteger os taxistas e sim os ciclistas e usuários dos táxis."

 
Mobilize Brasil,  Marcos de Sousa , setembro 2017
 

TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!

ABETRAN – George J Marques