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Responsável: Marccelo Pereyra

METAMORFOSE DE TRÂNSITO

A pressa, nos nossos dias, não empurra somente os veículos motorizados para o aumento de suas velocidades, nas vias de trânsito das cidades doentes. Ela também empurra os pedestres, acelerando seus passos trôpegos, entre buracos e bueiros sem tampas, nos passeios, ruas e avenidas, sem endereços fixos. Tudo se movimenta constantemente, como um redemoinho que não tolera a inércia, que arrasta, de qualquer lugar, tudo que esteja parado.

A pressa, nos nossos dias, aflige o ritmo cardíaco de todos os seres vivos que o possuem, arrancando, do peito, o ar poluído que aspiramos e, devolvendo outro, mais poluído ainda, para respirarmos.

Em meio ao ajuntamento de metais e ferragens, pneus giram em alta velocidade, ocupando os espaços vazios, avançando os sinais coloridos que piscam, em desordem, descolorindo as regras e normas de circulação.

No mundo do trânsito, é preciso ter tolerância para conter essa correria desenfreada, para fugir da trombada e, do atropelo. Quanto mais tolero, mais aumento a impaciência do outro que não me compreende. Sua pressa é maior que os ponteiros do meu relógio. Passam por mim, muitos corpos, bailando entre os carros, num malabarismo inconsequente e suicida. Sombras e vultos atravessam as ruas, deixando rastros de uma existência que não se sabe existir ou, assombrar.

Nesse trânsito de hoje, ao obedecermos às imposições da pressa, nos arremessamos ao conflito, ao agressivo estilo moderno de convivência, onde prevalece a lei do abuso e da contravenção, da infração e, do desrespeito a tudo e, a todos.

Nossa contribuição para tornar nosso trânsito mais humanizado, precisa ser revista imediatamente. Caso contrário, nossa metamorfose zumbi, no trânsito, tomará conta das vidas que por ele, trafegam.

 

O SORO E A VACINA

A comunidade do trânsito adoece, com a ausência da educação. A educação é a única vacina capaz de imunizar as pessoas dos males do convívio urbano, do conflito incessante de interesses e vontades. Ela é a condutora e a promotora do entendimento, da compreensão do transitar, intermediando a pressa e a gentileza, a preferência e o egoísmo, o espaço e o tempo.

O trânsito é um ambiente de constante disputa de espaço. Nas calçadas, as pessoas se desviam umas das outras, andam na mesma direção, tropeçam, esbarram, xingam e, seguem assustadas. Nas ruas, os carros invadem faixas, atravessam à frente de outros, andam velozmente, colidem, atropelam, matam e fogem irresponsavelmente.

Os sinais, silenciosos em suas regras, coloridos em seus códigos, permanecem imóveis, ignorados por toda essa multidão que desordenadamente ocupa a cidade em todos os seus cantos, esquinas, ruas e avenidas.

A falta de educação viraliza nesse meio. Contamina a todos, transformando as atitudes de cooperação e respeito, em ações ofensivas e agressivas.

A vacina da educação precisa ser aplicada, urgentemente. Inoculada na formação cidadã, somente ela será eficaz para evitar que as pessoas adoeçam no trânsito.

Àqueles que passaram do tempo de se imunizarem, resta a prescrição dos soros e remédios que terão a missão de combater os males, já instalados.

Minha escolha faz a diferença no trânsito.