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Quem acelera o tempo que passa, descontrolado feito um cavalo selvagem, galopeando pelo campo aberto da vida que se esvai?

Quem sopra o vento que embaraça os cabelos longos e sussurra sons incompreensíveis, aos ouvidos surdos dos desatentos?

Quem confunde as ideias soltas que balançam nas cabeças ocas das pessoas normais?

Quem desorienta os loucos, as crianças órfãs de amor, os suicidas apaixonados pela morte, o sorriso triste do humano, com fome de ser?

Nos tempos da pressa, ninguém responde.

Quem atropela o passo, jogando ao chão a vida que se fazia de pé?

Quem apaga o sinal vermelho, em nome do verde, cobrindo o asfalto de crimes sem culpados?

Quem chora o choro da lágrima sentida, que escorre para o fundo do poço dos desalmados de justiça?

Quem consola as perdas das vidas interrompidas pela velocidade dos animais sem asas, sem pena dos outros e sem penas para cumprir?

Nos tempos da pressa, ninguém responde.

Na pressa dos tempos, todo mundo se esconde. 

Senhor, escutai a nossa pressa!