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Para que servem as estatísticas? A finalidade de consolidar dados quantificados, para apresentar um cenário realístico, nem sempre afeta e transforma, as mentes humanas.

Os números são frios, não traduzem súplicas, não choram pelas tragédias, não modificam a razão. Apresentam a realidade nua, direta e dramática dos fatos, sem ter a finalidade de alterar, as já conflitantes, emoções do nosso tempo.

Apontam o dedo rígido da verdade, sem se importar politicamente em agradar alguma opinião, sem defender correntes religiosas ou tendências de gênero, cor ou classe social.

A cada ano, colhemos em nosso trânsito, 45 mil mortos. Enterramos 45 mil vidas, sem conhecê-las, sem saber seus nomes, suas origens e, as verdadeiras causas de suas fatalidades, pois a estatística não se importa com isso. Ela apenas se presta a apontar os dados, frios e silenciosos, como os cadáveres de seus números.

Considerando que cada ser humano, pertencente a esses dados, tenha convivido intimamente com outras cinco pessoas (familia e amigo pessoal) em sua vida, serão então, pelo menos 225.000 pessoas atingidas por esse impacto da perda. 45.000 efetivamente por suas vidas e outros 180.000 impactados pela fatídica perda de alguém querido, em um acidente de trânsito.

A cada ano, mais de duzentas mil pessoas sentem a perda de algum ente querido, seja por parentesco ou por outro laço afetivo.

Ainda seguindo uma probabilidade estatística, somando as décadas de tragédias fatais, em nossas ruas, avenidas e estradas, podemos afirmar, sem receio de errar, que milhões de brasileiros, hoje, estão afetados, emocionalmente, por algum acidente de trânsito, na história de suas vidas.

E esse ciclo se mantém, a cada ano.

Mas, para que servem mesmo, as estatísticas?