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METAMORFOSE DE TRÂNSITO

A pressa, nos nossos dias, não empurra somente os veículos motorizados para o aumento de suas velocidades, nas vias de trânsito das cidades doentes. Ela também empurra os pedestres, acelerando seus passos trôpegos, entre buracos e bueiros sem tampas, nos passeios, ruas e avenidas, sem endereços fixos. Tudo se movimenta constantemente, como um redemoinho que não tolera a inércia, que arrasta, de qualquer lugar, tudo que esteja parado.

A pressa, nos nossos dias, aflige o ritmo cardíaco de todos os seres vivos que o possuem, arrancando, do peito, o ar poluído que aspiramos e, devolvendo outro, mais poluído ainda, para respirarmos.

Em meio ao ajuntamento de metais e ferragens, pneus giram em alta velocidade, ocupando os espaços vazios, avançando os sinais coloridos que piscam, em desordem, descolorindo as regras e normas de circulação.

No mundo do trânsito, é preciso ter tolerância para conter essa correria desenfreada, para fugir da trombada e, do atropelo. Quanto mais tolero, mais aumento a impaciência do outro que não me compreende. Sua pressa é maior que os ponteiros do meu relógio. Passam por mim, muitos corpos, bailando entre os carros, num malabarismo inconsequente e suicida. Sombras e vultos atravessam as ruas, deixando rastros de uma existência que não se sabe existir ou, assombrar.

Nesse trânsito de hoje, ao obedecermos às imposições da pressa, nos arremessamos ao conflito, ao agressivo estilo moderno de convivência, onde prevalece a lei do abuso e da contravenção, da infração e, do desrespeito a tudo e, a todos.

Nossa contribuição para tornar nosso trânsito mais humanizado, precisa ser revista imediatamente. Caso contrário, nossa metamorfose zumbi, no trânsito, tomará conta das vidas que por ele, trafegam.