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A semana que passou, a grande mídia enfocou dois assuntos que merecem o nosso comentário, como sempre construtivo, mesmo quando critica.

A primeira matéria, com enorme cobertura, com um título pretensioso: “Fórum trânsito do futuro”, numa parceria com o Detran, nada acrescentou que merecesse ser considerado, uma vez que, neste conclave, não apareceu nenhum engenheiro de tráfego ou qualquer representante da CET-Rio. Merece no entretanto elogios pelo enorme destaque as declarações do atual presidente do Detran, onde esclarece, de maneira sincera, as suas intenções para tornar mais eficaz  e, menos burocrático, o atendimento do Detran a aqueles que dele dependem. Cumpre com esta medida um dever, nem sempre seguido pelos administradores públicos, de esclarecer a nós, pagadores de impostos, o que irão fazer em nosso benefício.

Além destes importantes esclarecimentos, as declarações das autoridades em exercício também deram conta de suas opiniões do que acontece, atualmente, no trânsito de nosso Estado. No mais, nada de real interesse para se imaginar o trânsito do futuro, quando o atual vai muito mal, em termos de mobilidade urbana. Convém mais uma vez alertar, uma vez que o encarregado da fiscalização da Lei Seca se pronunciou. Enfatizo e repito que não se verifica, segundo texto do artigo da lei: “dirigir sob o efeito do álcool”, uma vez que não se exige nenhuma prova prática do controle do carro a fim verificar se o motorista, de fato, está sob o efeito do álcool. Só vale o que se verifica no teste do ar alveolar, o que nos coloca sob a ditadura do “bafômetro”, fato comprovado nos requerimentos de defesa dos motoristas enquadrados na lei. Assim procedendo, o Estado se torna meramente arrecadador e injusto.

As declarações promovendo aplicativos foram, segundo uma testemunha especialista e professor de engenharia de tráfego, meramente mercadológicas. Existiu, porém, uma exceção. Foram as declarações do representante da Transformação Digital do Instituto Smart City, quando disse: “Se a cidade é deficiente, em suas vias circulatórias, sofre um AVC e isso afeta a economia e a qualidade de vida das pessoas”. Por causa deste único pronunciamento real e efetivo, entrei em contato com ele e, em breve, vou lhe mostrar o projeto de utilização racionada das  vias, o URV, exatamente para evitar o AVC, e implorar-lhe que me ajude a implantar este projeto, este sim capaz de manter as cidades “respirando”, enquanto o futuro não chega.

A outra matéria foi um artigo escrito pelo professo Pablo Cerdeira, da Fundação Getúlio Vargas, com o título sugestivo e atual:  “Sem debate sobre a mobilidade urbana”. Por abordar um tema que ameaça o futuro do trânsito das megalópoles, vou também contata-lo para lhe mostrar o meu URV e, solicitar a sua importante Fundação o auxilio para vencer a resistência siderúrgica (como diria Nelson Rodrigues) dos governantes em adota-lo. Para que se possa avaliar o quão “pés no chão” foram seus comentários, vou transcrever aqui um trecho importante de seu artigo, no qual enfatiza o prejuízo financeiro dos congestionamentos, do estresse e poluição do ar causados pela péssima mobilidade urbana. Vamos a ele:

"No Brasil cada carro de passeio transporta em média 1,3 pessoas. A maioria circula com apenas um passageiro. Se a média de pessoa por veículo subisse de 1,3 para 2, por exemplo, conseguiríamos o mesmo efeito que  o metrô do Rio, sem gastar os mesmos R$10 milhões.

Modelos que estimulem o compartilhamento de veículos podem trazer benefícios enormes para o país. Os aplicativos ainda estão longe de serem perfeitos, são alvo de muitas críticas fundadas e não atendem, na maioria dos casos a esse objetivo de tirar carros de circulação.” 

Exatamente a maioria das sugestões, leigas, levadas ao conhecimento do público no “Forum do trânsito do futuro”, na sua parte mercadológica, tentava vender aplicativos.

Para encerrar, como “pá de cal”, a frase que sempre repito: “Não me preocupam os que não enxergam a solução, mas sim aqueles que não enxergam o problema”.

É só, mais uma vez plagiando o grande Nelson Rodrigues.

 

Celso Franco - Jornal do Brasil - 05 de novembro de 2017

 

 

TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!

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