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Tony Pacheco*

“Não existe pena de morte nas leis brasileiras, mas no trânsito ela já foi decretada”. Com este alerta, o presidente da Federação Nacional das Associações de Detran (FENASDETRAN), Mário Conceição, chamou a atenção dos participantes do 8º Congresso Trânsito e Vida e 4º Congresso Internacional, realizado em novembro passado em Salvador. Os números são estarrecedores, segundo o dirigente: o número de veículos no Brasil mais que duplicou nos últimos 10 anos e a infraestrutura não acompanhou este aumento, daí que o País é agora o oitavo do mundo em mortes no trânsito. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os dados consolidados de 2010 mostram 42.844 mortos no trânsito brasileiro e o Ministério da Saúde brasileiro já considera as mortes nesta área como “epidemia” e uma epidemia cujo “vírus” mais letal chama-se motocicleta, pois somando os mortos de todos os meios de transporte, do carro-de-boi ao avião, passando por caminhões, ônibus, barcos, automóveis e caminhonetes, as motocicletas mataram a metade das vítimas. 

 

Enquanto os atropelamentos DIMINUÍRAM 30% de 1996 a 2010, o número de mortos por motos AUMENTARAM em 1.298% (mil duzentos e noventa e oito por cento) no mesmo período. Segundo o Ministério da Saúde, só revólveres matam mais que motocicletas no Brasil.

MEDIDAS SÉRIAS E URGENTES

De 2001 a 2010, morreram 65 mil pessoas em acidentes de motos no Brasil, mais que o total de soldados americanos durante toda a Guerra do Vietnam. E a tendência é piorar se não forem adotadas medidas sérias e urgentes, segundo o dirigente da FENASDETRAN, Mário Conceição, pois a frota de motos só faz crescer, tendo passado de 4 milhões no ano 2000, para cerca de 20 milhões em 2013. Já a frota de automóveis pulou de 19 milhões em 2000, para mais de 45 milhões em 2013. Em decorrência disso, o Ministério da Saúde contabilizou R$96 milhões (noventa e seis milhões de reais) em gastos com as 153 mil internações de vítimas do trânsito brasileiro na rede pública em 2011 e estamos caminhado céleres para atingir 50 mil mortos no trânsito, uma “pena de morte” disseminada, principalmente entre os jovens. O dirigente da FENASDETRAN afirmou que este é um “grito de alerta para que toda a sociedade se comprometa em preservar e salvar vidas.

As manchetes nos jornais não escondem a gravidade do problema: “Irmãos são mortos ao andar de moto em direção ao Aeroporto”. “Ônibus esmaga médico”. “Esperavam o ônibus e foram atropelados”. Nunca antes na história deste País se leu tanta manchete com tragédias envolvendo o trânsito.
Mário Conceição adverte que o Brasil precisa debater o assunto e encontrar soluções. O País não suporta mais perder quase 50 mil vidas todos os anos no trânsito. E, o mais terrível, como vimos recentemente em Salvador: são vidas que apenas começam, cheias de promessas, pois na faixa etária dos 15 aos 29 anos de idade, o trânsito se transformou na maior causa de morte. E por que? Porque nesta faixa estão aqueles que andam de moto, a pé ou de bicicleta, justamente as três modalidades que são responsáveis por 66% dos mortos no trânsito brasileiro.

 

*Tony Pacheco é jornalista-radialista formado pela UFBA e psicanalista formado pela SPOB.

Fenasdetran, 22 02 17

 

 

TRÂNSITO: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!

ABETRAN – George J Marques